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Eixo, Axioma, Vértice, Vórtice, Espiral


Gravações da visita a Brasília para o Festival Fora do Eixo incluindo: triturador de notas, escolinha ao lado do lixão da estrutural, templos vazios, prédios públicos quase vazios, ruas desertas, gente de rua cantando e delirando, barulhos de aparelhos, montagem de exposição, piano proibido em centro cultural com teclas pixadas, oficinas de ópera, festanças, bicicleta, museu maçônico, estádio de futebol,  cachoeira, botecos... 


Sociofonia#11

}Trans tornos:
Bandeiras de Xiita {Coração Partido}
O que atravessa o centro rotátil do meio urbano fazendo cruzarem elementos fora do eixo em campos gravitacionais que não os seus usualmente. 

Buscamos entender como ocorrem as sociedades de diversos modos de escuta, as cumplicidades de certos modos de vida que acarretam nos campos (a)composicionais dos "estilos musicais" por exemplo. Como as diferentes pessoas escutam e o que elas escutam? 

Quais as finalidades dadas ao sonoro e ao musical na vida social metropolitana? Que aparelhos de rádio podemos reutilizar do lixo para tocar? Quem precisa ser ouvido e quem não quer ser ouvido?
{

]Objetivos: 
•Uma instalação sonora composta com todo o material recolhido durante o processo...
•Um mapa da cidade sonora...Três oficinas abrangendo o processo de captura, edição e difusão sonora...
•Uma série de jornadas sonoras gravadas em formato mp3 realizadas a partir destas oficinas, cartografadas no mapa para que pessoas possam fazer tais travessias pelo espaço urbano aumentado...
•Um libreto-mapa para rotas sonoras no walkmen digital 
[



)Processo: 
Caminhadas gravando sons, recolhendo lixo, indo encontrar amigos que moram longe (se der já pedir pras pessoas que estiverem no festival que queiram fazer um som ou mostrar uma ilha de silêncio, seria ótimo conhecermos amigos dos amigos)

Criar uma maquete sonora da cidade audível durante todo o processo com caixas de som velhas sobre mapas alterados. Ouvir as pessoas na casa de residência, compor um disco com quem quiser. Cantar, por favor, cantemos. Criar rotas na maquete para atravessamento da cidade.

Fazer uma cartografia na cidade com uma primeira trajetória poética. Ouvir as pessoas na rua, no ministério da cultura, nos diferentes templos, nas festas. Um libreto-mapa para rotas sonoras no walkmen digital...Espécie de filme-cego ou ensaio sobre a surdez...
(



Da Ópera à Próera:



Como a transmutação desenrolada do tom ao espectro através do processo dodecântico dos empilhamentos de notas e frequências (clusters) até a composição coletiva dos drones, os sistemas programáticos das musiações reapresentivas sofreram algumas mudanças dinâmicas e dramáticas, da atuação à interação interventiva, da representatividade sasonal ao ativismo em redes cotidianas na harmonia contextual. As vozes todas foram identificadas pelos softwares de síntese vocal.

hf=mc2
(n-f)=x grau de potência dos encontros.


Os códigos de intervenção política pelas distintas poiéticas de religares transmidiáticos. Da criptocracia à ruidopatia através da criptopatia corpóreo-social.

Espectro Sonoro e Campo Sensório Musical: Uma escuta de fato compassiva haveria de lidar com todos os modos de escuta (uma vida, uma escuta), e mais ainda: com todo o audível humano e suas limitações lógicas e sensíveis.

Toda nova ciência demanda uma nova linguagem. Toda nova linguagem surge avançada o bastante para se assemelhar ao código. Mudar o vento altera apenas algumas variáveis do som do sino eólico.

18, Trabalho Sobre o Que se Deteriorou.


Sinaefonia, Crepúsulo dos Tipos:

Mola, Molécula, Cidade.

Ondulação lisa onde se deslindam os cortes dos gestos programáticos, a senoide cognição fluidificou as notas e com isso também diluiu as fronteiras entre estilos (modos de composição aural).

A noite tipológica vê os campos gravitacionais de alhures sendo coordenados em suas flutuações pelas estelas-mídias. Sonátemas, tipos sinestésicos focados em escutas, conectam outras possibilidades de concatenáCào de sons e mesmo de dinamizações sonoras (ritmos em aritmos, a exemplo) gestando uma metamatemúsica, a auria.

Não sou eu quem me navega, quem me navega é senoide, a nevaga.






Três Tempos da Cera:
As linhas do horizonte fractal lembram a expansão da escuta.
Grãos, malhas e massas esculpem as intensidades ter-restres da escuta: danças sensíveis em prismas sinestésicos que gestam partituras-programas, relações entre entrescutas e ritos sacro-integrais de religação do laico com o profano.

Quais os maquineísmos organômicos da composição muséica?

Para que programa-partitura gestxs soantes como dança ritual e não seus resultados meramente sonoros de antemão.







Concerto Candango:


"Um idealismo prático reveste o calo à mão, apagar as contas é um gesto metafísico."

       I.Réquiem para Samuel Rawet.

       II.Cor ou Ação de Criyestoeal: Um cego (Artemiev) guia um povo ao meio do deserto e onde menos vegetação encontra, às vozes do povo ecoam-lhe 'Estamos Perdidos.' Desta perdição fizeram sua nação erguendo capital sobre um cristal. Coroação da cegueira política no coração do mundo.
       III.Esplanada das Putas.
       IV.Alvorada na Sacolândia.
       V.Mendigo e Estudante no Santuário dos Pajés.
       VI.Com Certos Candangos: Céu imóvel, gapão na zona, sis e temäsis, ura lupas e lâmpadas, a vertigem dos objetos, as empresas do corpo (laibach butoh), nós...
       VII.



"Onde lidamos diretamente com as arbitrariedades de valorização e a virtualidade atualizada às prag-máticas, os prgnósticos e as pro-gramáticas da vida sob o aparelhamento capital."
As Brilia {cidade quântica dos encontros}




O Elefante de Marfim:

Madame Política, Médium
Mola, Molécula, Cidade. Quando o sapo pulo em meu joelho, me recordei da impansão ocorrida em Inhotim, quando do encontro com uma serpente e um corvo.

A próera seria um processo de enredamento afetivo que busca ampliar o uso e propiciar a reflexão crítico do objeto-estudo e do processo em seus entranhamentos a respeito do espaço-cárcere subjetivo, museu.

Através de uma pesquisa sobre as obras instaladas, propor intervenções que atravessam o espaço ex-positivo est-ruturando uma rede dinâmica de experiências sensoriais, e portanto, lógicas, sígnicas, típicas, icônicas, simbólicas, analógicas.













O Despertar dos Hackers:


Ready-Made inerente ao som do limpador de bosta
"O Caos não é sagrado e deve ser profanado com orgasmos." - Hakim Bey.

Uma conclamação ao uso ritualístico da tecnologia em reinsistência poiética ao tecnofetichismo.

Escrever uma carta sobre ministério e cultura e não entregar à ministra da cultura.

Executar uma série de intervenções na eslpanada dos mistérios:

       I.Circundar o ministério da cultura soando ruído preparado com sons das periferias do país todo.
       II.Propor uma programação para a madrugada (horário aberto e desocupado) com a história do ruído.
       III.Escrever um poema intitulado "A Desconstituição do Brasil" e outro chamado "Un Coup de Pure Däat".
       IV.Caso falhem estas tentativas, conversar sobre elas com pessoas nas ruas as mais distintas.
       V.Um ciclo: Rito, representação, repetição, autopoesia.






Livro dos Desapegos:


"Qual a flor mais suntuosa? Qual a mais venenosa?"

Escreva sob a mais pura necessidade.

Tome o máximo de tempo na escrita na mais lenta velocidade que conseguir.

Se esmere na caligrafia do que sentes que deva deixar-te o corpo e ficar nestas páginas.

Pirâmide monetária dentro de um lixo de feltro para automóveis da Secretaria da Justiça.
"Lindo extermínio. Primeiro enxonfre, depois água fresca."





Oratório a Nossa Senhora do Lixo:

Colhias o ouro entre lírios
antes do garimpo
Extraías o leite plástico
onde vertem nosso vômito
Água metalizada, pétreas vísceras
Ofélia bebeu o afogamento
renasceu ícone lácrimo em Fátima
Woolf letra o escapulário
enterrada nas fézes 
que maquiam o teatro
cidade em sua farsa-fé
De seu corpo o rio de lixo
nasce no seio Tietê








Desvio para o Vermelho no Espelho da Tauromaquia:
OU






-Se pergunta, não sei.
-Se resposta, duvido.
-Ninguém ouve, podem falar.
-Se morte, tudo permitido, melhor.
-Tolheram-se anjos trocando mãos por asas.












Geoeco:


Lixeira feita de lixo.
Resonâncias ambientais e modos distintos de soação. Como o meio influi na música, esta se torna ruído-interferência no campo aural.

No Vale do Amanhecer ergueram um templo à burocracia hierárquica. Quando tia Neiva morreu (o pajé é sempre o primeiro marte, depois os 

guerreiros se matam por prazer e paixões) a dinâmica simbólica de sua seita estratificou num sistema dogmático que leva à decadência desta 

cidade-egrégora. Em tudo a arquitetura política e religiosa se assemelham. 

Identidade e oitava, singularidade e trítono, periodicidade espectro. Idalteridade. Contraponto em contraplanos cinematicográficos.

Bionecroatômica


Estudo de biogeneratividade sônica sobre composição audiovisual de de Isao Hashimoto. Virus aplaudem Ariel batendo suas asas sobre a escuta do replicante na VALIS. Cristais no labirinto de Atlan lhe dizem da escuta biopunk de Rodolfo Caesar.

Fé Rida


Ouça as canções de louvor e recrie-as, batuque e fale nomes de santos que não existem com toda a fé que você tem até perceber a forma como ela condensa num ícone kitsch. Frida contempla Mehretu e ouve Grudjëf limpando a orelha de Crowley enquanto Blavatski toca tímpano.

Pixel Pixo

Gravações de rolês noturnos, latas de tinta e ruas não foram utilizados na versão apresentada aqui, mas estão disponíveis

Radiodance Opus.1: "Y Do Be?"

The Dancer Isadora Duncan e Nijinsky observam seus ouvidos nos olhos de Klimt que sente a presença de Utvolskaia e Debussy no mosaico do vestido de Pina. Radiodance Opus.01:"Y Do B?" parte da voz em si, da presença do verbo e da dança dos campos eletromagnéticos para compor um programa corporal de flexão sinestésica dos limites do corpo, suas escutas e seus gestos. Na inversão metafísica dos corpos (body=ydob), a representação dos choques da fisicalidade que gestam os sons, surge uma questão simples: por que insistimos na feitura do ser? Por que ainda acreditamos na atuação artística mesmo quando esta já não possui nenhuma potência de atualização do mundo? Pede-se ao ouvinte que preste máxima atenção ao seu corpo durante a audição e dance. Vozes auditas e inauditas: Veridiana Zurita, Julia Rocha, Daniel Fagundes, Daniela Dini, Gabriel Kolyniak, Guilherme do Vale, Chico Science, Frank Zappa, Key Sawao, Ricardo Iazzetta, Vivian Caccuri, Katherine Strandberg, entre outras.

Cassandra


Cantata com texto de Fabiane Borges do livro "Domínios do Demasiado". O que mais a gente pode fazer?

Simplexo {Corpinfesto Pânfago}

Ciberfonia plundêmica em metareciclagem.
Antropofagia
1.After knowing about download all of John Oswald's work available on his websites: http://www.plunderphonics.comhttp://www.pfony.com 2.Listen to everything 11 times in 2 days meanwhile reading his statements and interviews. 3.Edit a cyberphony with the plexoristic material added to the "Ode, Os Primaveris Cortes" as background. 4.Gather the imagery from the website and make a label. 5.Listen to the "Simplex" composition acquired in the step [3] 9 times meanwhile reading Oswald de Andrade's "Manifesto Antropofágico". 6.Transwrite it while listening to "Simplex" for at last 5 times. 7.Translate it on Babylon web translator to english. 8.Post it here and on the blog. 9.Write a thanking letter to John Oswald for his works.

Sinema

Multimídiatecagem objetal. Larry Jordan num acontecimento sinestésico sob leitura espontânea do que se apresenta à escuta coletiva. Cria-se uma ambientação singularizada para a alteridade do inspaço – ele nunca será o mesmo por mais que conhecido; luminescência acontecimento; são ministrados cheiros, aromas harmônicos e saboeres aos participantes; panos rasgados, fios, tescituras & texturas podem ser usadas na deformação da aparência. Aonde não se sabe... Captação de estímulos na catalisação de sensações e potencialização do que acontece. Dispositivo-experiência, arte da queda no nonsense – escapidários de sentido. Subentende-se tudo de uma vez por todas, em infinitos estalos intermitantes... Não há controle – uma jornada caleidoscópica através dos afetos.

Polifonia Desgraçada

I{Prayer and Prey}I
animal interdito de cór, pó
cast{r}a sobrevipressora
indesejadequável insustemportável
queimará dutos em butas
árvore caída de joelhos

II{Peça}II
caleidotoit mon óx le coeurbeaur
sem linha de montagem em formaT de um perdidoíso
olhando os óleos soou ubi breu
devir gens ossídio, desperdício do descaso
gangue transfusa mênstruos coárgu rios

III{Sem Tabuleiro}III
por absurdo, Tempo, espinhos
sorvem taiças onde li cores que não nomearia
nem em numes ou lumes
te iro no pé e tom hei que jorrnar
entre bólido roto lá e espora de cá

IIII{El Ai Co.}IIII
quando dinamorama noitea
ou oisa que orvalha e a veste
entumesce a pele clorófila seiva
cidade silenciada em cada late
podem ouvir!

V{Gnoise}V
teus anjos riem embriagados
conosco oco asco, a garra faca
ró! mátula rompida às migas
cinzas brilho por toda a urbe
em leito leão ruvas férrimenta

VI{Láfora}VI
deitada na grama brisa sorri brasa grisa
autoritântopro, famíntglia
aterro com dincheiro, covalta
vinhas de lábias úmidas feitas auréolas
pó absolurdo, és passo e perde-na

VII{Violino Compressor}VII
um só pão e farbeação largo de sangue
para ali mentar à ávida ave de rapina
há alguém fedendo no coletivo
será o mendigo fílico no centro da nave ou o padre executiv à porta?
se entreolham as gengivas o corpo sorrindo

VIII{Poeste}VIII
sete mil trezentos e doze pombos defecantes em queda livre
é nas fossas ao limo que se sonha
em cartiveiros do confrorto só se domen
insones e sonâmbulos de mãos dados
mú sick vibrórgão de controle do pasto

VIIII{All rite!}VIIII
erguendo muros à sua margem
sem mel e lanças à máiscara
teleociliam os degraus de gen, o sítio
distendido em veneno e veneno
ou troço féu a trofia

X{Miss A}X
pia da noscente não tem'm, mais traças
batina de gola para todos no coro
ante o bafo, bufo ria
torrentes de baby beefs, catacombes sob os mosteiros
laicifício, o que dá o que come, sacrócio

XI{Ascese ao Ascéptico}XI
serpente precede à escala anterior à queda
lítio urgia pragma ungida em chofre
rastejado por dez esfinges de nomes santos
e normes genitálias com faces de mônios
tudo por ídolos da hera dormena

XI{Ascese ao Ascéptico}XI
quando a pedra estava irg'rija
vai da dívia o enclausuramanto
ecolatri{n}a das chaves e maldicção dos umbrais
me séria através das fhomens, p’hortas de daninhas
pass no burosuicraticídio

XII{O Transbordamento da Seca}XII
a causa chuva se em foco
em vésperas de viagem com a lama por l’ímpar
enxame de moscas brancas rompendo as redes
dodes{a}tin prosaico corrupmér
onde se parem cem maçãs por estigma

XIII{Marcha Ré que End}XIII}
são os lábios que nó cruzamento de olhares
se desnudem gargulanta cortina crepúsculo vox
agora com a abóbada coronária aberta
fende também o peito retorcido, nasce anlux
não pecando por medo da fraqueza de sermos humildes


{Pausa de treze compassos e finalizam todos em uníssono}
igns index ignor, mas tentamos... tentamos...

Radial [São Paulo]



Orson Wells discute a radiação sonora como a composição musical de uma alteração nos modos de escuta com Luc Ferrari, Antonin Artaud ri das harmonias contextuais ao ouvir Buster Keaton interpretar Ezra Pound. Através de visitas agendadas a uma gama de estações de rádio (estatais, comerciais, comunitárias, livres, piratas, virtuais) na cidade de São Paulo, adquirir material sonoro dos momentos fora do ar das emissoras para a criação de uma composição de aproximadamente uma hora de duração para a exposição de museu Oidaradio. As pessoas contactadas neste processo são convidadas a participar ativamente do projeto, em discussões e na apresentação no Paço das Artes. O material total somou mais de 50 horas de duração capturado e editado em duas semanas.
Os processos de globalização da radiodifusão somados à crescente intermediação do contato sonoro cria uma inversão nos modos de escuta urbanos, a saber: a escuta global (telenotícias, parada de sucessos unificado da escuta infantilizadora massificada e seus enraizamentos hype e cool, historiografia dos compositores, etc.) se regimenta como um controle imanente das formas de uso do tempo e de encontro local tanto de escutas como de atuações musicais(ritualização musical do tempo, criação coletiva intempestiva como em rodas de samba e demais sessões de jam, escuta ambiental, etc.)
Através do duplo movimento de cartografia das variantes modais de radiodifusão urbana e performance de enredamento da escuta ambiental coletiva local, cria-se uma harmonia contextual que mais que documentar um período musical histórico, o recria na forma de uma composição que possibilita a conexão de diversos expoentes da radiodifusão física e subjetivamente.

Iemanjá no Corcovado do Inferno Plástico


Gravar produtos de plástico vendidos em camelôs. Carlos Oswald e Niemeyer fazem uma imagem de Iemanjá com todo o plástico que forma o vórtex de lixo no oceano pacífico em escala de 1,2x1 e dispem-na no morro do Corcovado atrás do Cristo Redentor no Rio de Janeiro imaginário da escuta de Verger e Caribé. Os Modernistas Pontos de Exú devem ser marcados nas catracas que dão acesso às escadas rolantes. Uma kitschfonia (opereta giocosa segundo Amadeus) onde o gesto (Berio) de formulação plástica da obra (o fogo afinando as cordas segundo Smeták) de arte sonora é deslindada em sete planos(Branca) de movimentos descendentes [ holístico, monódico, átmico, piritual, mental, astral & físico ] em direção ao cerne da Comédia. Assim como Dante(Palestrina Sepultura) fora acompanhado por Virgílio, seremos nós sob o nome fictício acompanhados por Stockhausen(Flo Menezes), incorporado desde a estrela Sirius na figura de Miguel Cão Exu das Resinas, para fazer esta travessia além do bem e do mal no divertido universo da música.

Radiowerkheadkraft

Sampleamento radical das obras completas das bandas Radiohead e Kraftwerk. Abraham Moles brinca com orelhinhas de plástico.

acompanha o drink Headwerk feito com 30ml de cachaça DJ batido com 5ml de Curaçao Azul, um quarto de limão, dois ramos de hortelã e 7 cubos de gelo. Preencha o copo de 300ml com Schwepps Citrus.

Almachina


Album programado em Pure Data. Miller Puckett toma café com Burroughs e Wiener. Mandelabrot os ouve da sala do servidor.

Is Kraut Era, Poprog

Exercícios de populismo musical. Magma escorrendo do tímpano de Lezama Lima sobre a orelha de Warhol enquanto Levy Strauss cozinha uma rocha num caldeirão de cera neobarroco.

Transtorno

I. Harmonias inconscientes:

Os cerca de trinta mil tatos das membranas basilares, estes osciladores de aproximadamente 35mm, respondem ao impacto de uma estreita banda freqüencial das ondas sonoras, e de acordo com sua posição em relação aos nervos auditórios vertem as freqüências e fases sonoras em impulsos elétricos. A quimera tácita demandaria a fixidez deste ínfimo movimento . Apesar do alcance de captação plena e constante da faixa vibrante entre +/-20 a 20,000Hz, trabalhamos com uma dilatação e retração do foco consciente auditivo muito variável, fora do qual ocorrem as micro e macro harmonias inconscientes.
Os ritmos elétricos dos neurotransmissores cerebrais, cocientes de todas as freqüências que cruzam o corpo, sintetizam-se entre +/-1 a 30Hz podendo ser descritos como o metainfrassom da mente. Os sentimentos, mapeamentos cerebrais do corpo em relações específicas, desvela à faculdade musical no seu sentimentalizar do som, estabelecimento de rotas dos ruídos do, e no, corpóreo .
Os organismos harmonizam suas orquestras homeostáticas através destes impulsos elétricos que variam sua sinfonia de acordo com as necessidades do corpo na sua incessante busca por equilíbrio e bem-estar. Seu funcionamento varia desde o mais lento possível como na faixa +/-(Delta ~ 1 a 4Hz)  que possibilita o desprendimento egóico para as regulações do metabolismo, das respostas imunitárias e dos reflexos básicos realizadas somente no sono profundo (REM); passando às ondas +/-(Theta ~ 4 a 8Hz) que regularizam os comportamentos de dor e prazer e com isso os alicerces das emoções como nos estados de transe, anestesia e relaxamento; chegando à gama consciente +/-(Alpha  ~ 8 a 12Hz) onde se recompõem os recursos minerais e se ampliam as sensibilidades nervosas e a velocidade de conexões sinápticas, e acelerando-a até o estado +/-(Beta ~ 16 a 24Hz) de alerta, concentração e aceleração do metabolismo através da queima adicional de adrenalina e proteínas .
Estes estados coexistem aparalelamente no organismo que as focaliza de acordo com suas necessidades moleculares, fuga da dor e busca do prazer, que alicerceiam a cristalização de certos hábitos na programação neurolinguística .
O planeta sobre o qual musicamos também ressoa em sua ionosfera durante seus movimentos de rotação e translação. As reverberações das suas instabilidades ondulares, reflexos das relações de forças entre toda a complexidade harmônica de sons nela presentes e os demais corpos celestes, variantes entre 8 a 45Hz . Terra e Humanos são organismos em uma relação que a harmonia clássica estabeleceria como dissonância dominante  e trabalham, não coincidentemente, em grande parte na mesma faixa de freqüência.
A concha e o das dasein est rondo, o corpo é a casa é o mundo . Tudo se ativa quando se acumulam contradições, a ciranda do boi é o labirinto do minotauro. À jam se comunica como nos conscertos ante às partitas, às energias que reverberam as próprias estruturas de um corpoambiente. Fazer o magnetismo dos falantes e metais estruturais reencontrarem suas ancestralidades na terra, subjetivar os objetos. Todas as tecnologias não são mais que um mito , e nisto um libretto seria escrito ad infinitum .
O som de um ambiente reverberado nele mesmo nos joga no paralaxx, onde as infinitas particularidades dos corpos entre a certeza da morte e a impossibilidade do silêncio se interprenetam Liberando o ato na probabilidade, randomização e improviso com os elementos previamente ensaiados pelos performantes ao mesmo tempo que liberando o som do texto  imanente pelo freqüencismo coloral, criando massas estocásticas,  nuvens, galáxias, campos harmônicos afectivos de multipolaridades atonais, tonais e modais; desvirtuando o caráter absoluto das estruturas cromáticas transitando entre hiperserialismos e minimalismos frequenciais.
As posteriores concordâncias entre as diversas faculdades se relacionam com a harmonia entre os dados dos sentidos aí dispostas, e estas nunca eternas, abismam entre coerência e crença  trazendo à tona a impossibilidade das esferas no fenômeno. A mente frente à beleza incompreensível de si mesma, feita círculo pluridimensional, torno de tornos da lama lógos, encontra o seu limite no saber-se impotente e pode então no des-esperar dançagir , manejar a rede de lemes de redes, cibernética.


 II. Corprótesespaço, dança das esferas:

A presença em movimento do corpo parte das redes de interlocução possíveis entre espaço construído, público e objetos (aparatos e próteses). Não há a possibilidade de que a dança seja elaborada dissociadamente de toda a composição maquínica e das engrenagens potencializadoras das relações entre espaço e corpo em desdobramento. 
Se direcionamos o corpo a uma dança esférica, isto consiste muito mais nos mecanismos de um enredamento noosférico do que nas imagens que giram em uma mimética do círculo . Hipnotizadores e hipnotizáveis através da constante ou fragmentada aparição da gira , os corpos experimentam um transtorno, mas mais do que isso, suas potências conströem a dança no encontro de um corpoespaço.
É nesse caminho que o pensamento corpo segue. Como fazer parte de um mesmo ambiente que outros corpos e no mesmo dissociar-se, desmembrar-se identificando-se da e na multidão ?
O bailarino desloca-se no espaço como portador do ambiente que o circunda. Desloca o som e é deslocado por ele, comportando no corpo a memória sonora impressa na subjetividade ao longo de sua história. As próteses falantes são esse mecanismo do corpo evidenciado, como uma literalização dos sentidos, um extrovertimento das memórias sensoriais.
A prótese se relaciona com o bailarino como o bailarino se relaciona com o ambiente, dança nele. O corpo, então, não é mais ele mesmo , não se resume ao visível e palpável, não se delimita mais no próprio contorno .
Em um mundo de exaltação e esgotamento informacional, os sentidos passam de instrumento de re-conhecimento do próprio corpo no ambiente a um mecanismo estanque de identificações pré-estabelecidas a estímulos absolutamente partiturizados. Deixamos morrer seu frescor de sensação primeira , desapropriamos por completo a possibilidade de sentir em sua totalidade. O corpo carrega os sentidos como apêndices de sua própria carne, amortece seus fluxos em uma tentativa de não mais responder aos estímulos de um ambiente exaurido.
Projeções do porvir, nossas idéias diante do perceptível não se configuram mais como arquiteturas ou estratégias nossas, mas como uma computação funcional constante do confluir com o mundo.
Se por um lado esse confluir libera o si como abertura de possibilidades em um ambiente de riqueza informacional, este pensar e agir de acordo com o rebanho, trama influências ao corpo, prendendo-o e isolando-o da possibilidade de criar suas próprias nomenclaturas, marginalizando seus desejos e emoções, coibindo sua interação sensitiva com o mundo. Nos prendemos crendo já saber a gama de possiblidades reativas possíveis dos sentidos, nomeamos antes de termos sentido. Carregamos no próprio corpo, próteses invisíveis, livros de receitas aos sentidos e às interações com o mundo.
Nos apropriamos do pensamento alheio, mimetizamos as ações que nos cruzam apenas sem nos (re)configurarmos a todo momento a partir do encontro com o outro. 
Quando não roubamos mais nada do outro é porque aquilo que ele nos apresenta já é parte de nós mesmos, e a  paleta interativa se mostra não mais que o senso-comum. Troca e relação cedem a economia e alienismo confluindo na inércia e amortecimento dos sentidos, a pseudointeração individualizante do virtual.
Ressaltar estes transtornos entre corpos físicos e abstratos que trespassam a subjetividade aproxima-nos do som (a sensibilidade da duração de que dispomos, além das memórias: imagens-tempos entrelaçadas a um espaço eterno subtraído pelo foco). Um corpo enquanto ambiente ou espaço de si mesmo reconfigura suas percepções no confluir com outros sistemas. Criando um terceiro corpo que não o próprio ou a prótese mas a imanência da relação, aprofundamo-nos na pausa para as percepções primeiras, um silenciar dos motores inertes e capturados nas reações pré-estabelecidas pelo aparelho habitualizante. Re-vestir  o próprio corpo , reconhecer-se construído além do eu e observar o outro que imageticamente pode se deflagrar em uma mesma situação, mas que comporta em sua experiência o absurdo da identidade no encontro mediado pelo maquínico. 
A relação meramente funcional  entre homem e máquina levada a seu extremo, um corpo que aciona a prótese e é acionado por ela, exaure as possibilidades de interação corporal e torna-o capturável pelas regras que acompanham tais mecanismos, o kitsch .



III. Inconscientes harmônicos:
Os sons que nos precedem à existência e ainda estão por cessar são indissociáveis da nossa utopia sentimental do silêncio: são a substância, a emoção de fundo, de nossas arbitrariedades harmônicas.
Através da musicæ , tentativa de apaziguar o tormento deste ouvir transconsciente à demasiado complexa harmonia do mundo, reduz-se o foco auditivo a um espectro compreensível, e preferivelmente confortável, das faculdades neuropsicológicas do ouvintecompositor. Esta relação ambígua da estética enquanto a ordenação da complexidade , permite-nos tanto experimentar às transformações da audição orbitando ao ideal simétrico sob a gravidade sensível-racional do corpo quanto encurralar no ângulo fechado dos cantos entre melodia, cortimbre, ritmo e harmonia as infinitesimais arestas das freqüências de nossa esférica escuta .
Deixamos que esta segunda imagem de harmonia reverberasse em todas nossas relações com o musical dividindo os gestos de intuição-criação das de representação em palcos tridimensionais e interpretação padronizada de instrumentos padrão, para encaixar o movimento no espaço, partituramos. Por querermos controlar o belo e o sublime acabamos por destruí-los .
Sustentando este grande musical espetáculo da institucionalização da intuição, o som comprimido em três dimensões serve de massa para as arquiteturizações pseudobarrocas de escadarias ascé(p)ticas de compositores feitos ícones da seriedade sacra deste ofício. O músico reduzido a ator de música  advoga seu conhecimento da lei de seu instrumento masturbador, e virtuose que é, com o que resta do lúdico dado ao erro, toreia o ruir sob o véu-técnica e este sistema especialista veste seu ídolo.
As disciplinas formais dos estilos, frente às quais se prostram estes tardios intérpretes copistas, mascaram na logomítica marcha storia-scientia  suas para-doxas religiosas de retroalimentação entre o paraíso perdido da forma e a esperança no juízo final, confortando as estreitezas dimensionais  de nosso espectro de sensibilidade na linearidade do progresso, para enfim, na nostalgia do presente fazer da própria existência ensaio  de seu produto gregário, a obra . Reduzidas as músicas assim a A Música, objeto de consumação: repetição dos resultados certeiros em lugar dos processos de devaneio através das impossibilidades das certezas. Eficácia plena da gestão sócio-econômica do gozo fetichizado em um refinamento cultural . A música tal qual o corpo, porém, é algo para muito além do prazer .
O que toca o humano ao tempo segue em cânone contra as barreiras culturais que almejam ao estético estático. Entre ambos, fugas dos ouvires na contínua instabilidade do saber-poder, as ondas das modas entrelaçam as harmonias das eras. O estudo harmônico para chegar aos axiomas da mathesis isolava a música numa audição idealista. Relevando como ruído, a relação entre as incontáveis faculdades  da ecologia cognitiva de um ouvintecompositor, e ainda o vão-elo entre diversas subjetividades, estes inconscientes harmônicos. As artes, estes organismos vivos evoluindo a uma velocidade estonteante entre nós, meros hospedeiros , seguem porém se destruindo e unindo mutuamente em busca de uma harmonia contemporânea .
A crítica à teoria das esferas  através dos limites epistemológicos feita pelo sintetista logoi technai deixa saltar aos ouvidos o religare entre crença e ciência no tetratkys . Nossas concepções harmônicas surgem das consonâncias e dissonâncias para com os sons inconscientes, não o contrário, como se as estrelas seguissem o princípio da humana música. Esta assunção verídica, porém, é senão uma arma numa velada disputa entre dois métodos de cerceamento das possibilidades auditivas pelo controle na antropomorfose do sonoro. Qual prisão seria a mais adequada para a intuição musical, o número ou a palavra? O cantochão balbuciaria, os cantos gregorianos sussurrariam e a sinfonia em fortíssimo clarearia: ambos! O inegável triunfo da ópera e da canção  estão intimamente ligados à necessidade desta criação de uma audição dócil , conforme com a lei dos números, desta agricultura dos nômades sons, literaturização do gado ouvinte humano . Neste sentido, o jazz foi de fato, como querem alguns , a continuação da música eruditista européia, nela somando através da imagética de emancipação não mais que o cálculo rítmico enquanto variável das sonatas modernistas.
O ideal da (de)composição moderna  desemboca nas experiências limítrofes da dialestética sonora do século XX  iniciando a transmediação do texto e seu contexto na formação de texturas . Que sons queremos que nos vistam? Como liberar as artes übermensch de nós? Passos primeiros duma nova estruturação das sempre crescentes dimensões da existência humana, este eterno retorno ao equilíbrio entre o caos do ouvir ao ruído-mundo e a necessidade da ordenação cristã dos rebanhos de mercados musicais, passam pela reinvenção do músico de papel  enquanto xamã  do ritual-jogo do ócio, imanência do maestro , carcereiro panóptico e metrônomo intensivo; em busca de um renascimento da música no espírito da filosofia trágica.